TESTE

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APRESENTAÇÃO

NO AR DESDE 01 DE JANEIRO DE 2014

Neste momento você também pode receber a Jesus Cristo como Salvador, simplesmente conversando com Ele… Em suas próprias palavras, diga de coração para Deus:

Deus, eu reconheço que tenho pecado contra Ti. Por favor, perdoa-me! Eu creio que Jesus Cristo morreu e ressuscitou para pagar o preço pelo meu pecado.
Jesus, entra em meu coração e purifica-me do meu pecado. Neste momento eu confio em Ti como meu único e suficiente Salvador.

Se você orou assim, e foi sincero, você hoje "nasceu de novo" na família de Deus, de acordo com 2 Coríntios 5.17: "E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas."

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quinta-feira, 26 de julho de 2018

A biografia Bíblica de Mateus

Como cobrador de impostos, Mateus tinha uma habilidade que torna seus escritos ainda mais emocionantes para os cristãos. Esperava-se que os coletores de impostos fossem capazes de escrever em uma forma de taquigrafia, o que essencialmente significa que Mateus podia gravar as palavras de uma pessoa à medida que falavam, palavra por palavra. Essa capacidade significa que as palavras de Mateus não são apenas inspiradas pelo Espírito Santo, mas devem representar uma transcrição real de alguns dos sermões de Cristo. Por exemplo, o Sermão da Montanha, como registrado nos capítulos 5-7, é quase certamente uma gravação perfeita daquela grande mensagem.

Quando foi escrito: Como um apóstolo, Mateus escreveu este livro no início do período da igreja, provavelmente por volta de 50 dC. Essa foi uma época em que a maioria dos cristãos eram judeus convertidos, assim, o foco de Mateus na perspectiva judaica neste evangelho é compreensível.

Propósito:

 Mateus tem a intenção de provar aos judeus que Jesus Cristo é o Messias prometido. Mais do que qualquer outro evangelho, Mateus cita o Antigo Testamento para mostrar como Jesus cumpriu as palavras dos profetas judeus. Mateus descreve em detalhes a linhagem de Jesus desde Davi e usa muitas expressões familiares aos judeus. O amor e preocupação de Mateus por seu povo é visível através de sua abordagem minuciosa de contar a história do evangelho.

Versículos-chave: Mateus 5:17: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.”

Mateus 5:43-44: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.”

Mateus 6:9-13: “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal {pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém}!”

Mateus 16:26: “Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?”

Mateus 22:37-40: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”

Mateus 27:31: “Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto e o vestiram com as suas próprias vestes. Em seguida, o levaram para ser crucificado.”

Mateus 28:5-6: “Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: Não temais; porque sei que buscais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia.”

Mateus 28:19-20: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.”

Resumo: 

Mateus discute a linhagem, nascimento e início da vida de Cristo nos dois primeiros capítulos. Daí, o livro discute o ministério de Jesus. As descrições dos ensinamentos de Cristo estão organizadas na forma de "discursos", como o Sermão da Montanha nos capítulos 5 a 7. Capítulo 10 envolve a missão e propósito dos discípulos; capítulo 13 é uma coleção de parábolas, capítulo 18 discute a igreja, capítulo 23, começa um discurso sobre hipocrisia e o futuro. Os capítulos 21 a 27 discutem a prisão, tortura e execução de Jesus. O capítulo final descreve a ressurreição e a Grande Comissão.

Conexões:

Como o objetivo de Mateus é apresentar Jesus Cristo como Rei e Messias de Israel, ele cita o Antigo Testamento mais do que os outros três escritores dos evangelhos. Mateus cita mais de 60 vezes passagens proféticas do Antigo Testamento, demonstrando como Jesus as cumpriu. Ele começa seu evangelho com a genealogia de Jesus, traçando sua linhagem até Abraão, o progenitor dos judeus. De lá, Mateus cita extensivamente os profetas, muitas vezes utilizando a frase "como foi dito pelo (s) profeta (s)" (Mateus 1:22-23, 2:5-6, 2:15, 4:13-16, 8 :16-17, 13:35, 21:4-5). Estes versículos referem-se às profecias do Antigo Testamento acerca do Seu nascimento virginal (Isaías 7:14) em Belém (Miqueias 5:2), Seu retorno do Egito após a morte de Herodes (Oseias 11:1), Seu ministério aos gentios (Isaías 9:1-2; 60:1-3), Suas curas milagrosas do corpo e alma (Isaías 53:4), Suas lições na forma de parábolas (Salmos 78:2) e Sua entrada triunfal em Jerusalém (Zacarias 9:9).



I. A chamada e vocação de Mateus.


O Evangelho segundo Marcos conta assim a chamada de Mateus: E tornou a sair para a beira-mar, e toda a multidão ia até ele; e ele os ensinava. Ao passar, viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: “segue-me”. Ele se levantou e o seguiu (Mc 2,13-14). O seu nome aparece nas 3 listas dos apóstolos que temos (Mt 10,3; Mc 3,18 e Lc 6,15). Além disso, ele também é mencionado em Atos 1,13 como membro da comunidade que continuou perseverante após a morte de Cristo.



As sinagogas já não ofereciam mais ambiente propício para Ele, devido aos Seus adversários que para lá concorriam e, também, porque as cidades não comportavam tanta gente que vinha ao Seu encontro. Os soldados romanos estavam sempre prontos para dissolver qualquer aglomeração de pessoas que sugerisse uma rebelião popular.
Era comum entre os rabinos daquela época ensinarem os seus discípulos enquanto caminhavam ao ar livre. Foi durante uma caminhada que Jesus viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e o chamou dizendo: “Segue-me!” Ele se levantou e O seguiu. Levi era o seu antigo nome, citado por Marcos e Lucas, mas ele mesmo assumiu desde início o nome “Mateus”, abreviatura de “Mattithyah” que, no Hebraico, significa “Dom de Deus”. Lucas informa que ele era publicano ou cobrador de impostos. Não se sabe se ele trabalhava diretamente para o Império Romano ou se trabalhava para o rei Herodes Antipas, que era tetrarca da Galiléia naquela época. O fato é que ele trabalhava na coletoria como cobrador de impostos.
O serviço de Mateus era conferir as mercadorias que passavam pela alfândega, calcular o seu valor e aplicar o imposto estipulado. Devido às suas práticas extorsivas, os publicanos eram odiados pelo povo e considerados como lesa-pátrias, ladrões e até mesmo assassinos. Não lhes era permitido nem entrar nas sinagogas. Fora de Israel os publicanos eram igualmente avaliados na categoria de adúlteros, enganadores, bajuladores e impostores. Este é o depoimento de Luciano, escritor grego que nasceu no ano 180 D.C. e que provavelmente conheceu o cristianismo.
Não era fácil o serviço de coletor de impostos, especialmente em Cafarnaum. A cidade ficava no entroncamento de duas rotas comerciais muito importantes. Uma ligava a cidade de Damasco ao Egito. A outra saía do porto de Acre (Ptolomaida do Novo Testamento), atravessava o Jordão e continuava pela Arábia até chegar ao extremo leste do Império Romano. Por estas duas rotas maiores e por outras secundárias que passavam por Cafarnaum era enorme a quantidade de caravanas de mercadores que chegava à coletoria daquela cidade que, consequentemente, era muito movimentada. Neste ambiente trabalhava o homem chamado Mateus, cujo conceito naquela sociedade era do mais baixo nível moral possível. Quando Jesus o chamou ele deixou tudo para trás e o seguiu (Lucas 5:28). A sua decisão era um passo sem retorno. Ele sabia que nunca mais poderia assumir qualquer posto numa sociedade que o desprezava. Mas ao lado de Cristo ele alcançou uma posição gloriosa. De fato, o seu Evangelho é considerado uma obra prima pelo modo didático com que ele organizou os ensinos de Jesus e pelo rigor em conferir os acontecimentos da vida do Mestre com as profecias do Velho Testamento. Por isso o seu livro foi adotado pela igreja sem contestação, desde a sua publicação até os dias de hoje. A sua habilidade de escritor certamente estava relacionada à sua perícia contábil na conferência das mercadorias, na descrição das mesmas, no cálculo do valor e na taxação dos impostos. Isto mostra como Deus pode usar o mundo para capacitar aqueles que serão chamados para servir no Seu propósito (cf Romanos 8:28).
Embora o relato da vocação de Mateus nos Evangelhos seja muito breve, não devemos deduzir que a sua decisão de seguir Jesus tenha sido um ato precipitado, sem ponderação. Considerando o seu local de trabalho, a quantidade de gente que por ali passava e as informações que chegavam a respeito do Novo Mestre, somos levados a pensar que ele já tivesse conhecimento do que Jesus ensinava e dos milagres que Ele fazia. É mesmo possível que ele estivesse alguma vez no meio do povo, ouvindo uma de suas pregações. Neste caso, a decisão de Mateus foi muito consciente e segura.
Durante o período do seu discipulado ele foi conhecendo cada vez mais o Mestre e, durante o seu ministério apostólico, ele foi-se conformando à vida de Cristo até consumir a sua própria vida no serviço do Evangelho (cf Marcos 8:35-37). Segundo a tradição dos pais apostólicos ele foi missionário no Oriente e teria morrido de morte natural. Eusébio de Cesaréia, historiador da igreja, Século IV D.C. , informa que um missionário chamado Pantaeno encontrou cristãos na Índia (180 D.C.), que tinham um Evangelho de Mateus, escrito em Hebraico, deixado lá por Bartolomeu. Se Mateus escreveu o seu Evangelho em Grego ou Hebraico, é um tema polêmico ainda hoje.

Mateus era um cobrador de impostos. O império romano tinha pessoas espalhadas pelo reino encarregadas de recolher as taxas que o povo devia ao imperador. Essas pessoas, obviamente, não eram bem-vistas pelos próprios conterrâneos. Muitas vezes eram exploradores e cometiam injustiças. Além disso, os sacerdotes, por respeito ao primeiro mandamento, proibiam aos judeus de tocarem as moedas do império, pois traziam a imagem do imperador. Por conseqüência, os cobradores de impostos, que as tocavam com freqüência, eram considerados pecadores.

A importante Cafarnaum, na Galiléia, é apontada pela tradição como a localidade de origem desse discípulo, cujo nome verda­deiro era Levi (Mc 2.14), sendo Mateus (ou Dom de Jeová), seu nome apostólico. As variantes Matias e Matatias, indicam que era um nome relativamente comum entre os judeus naqueles tempos.
O apóstolo Mateus era filho de Alfeu e provavelmente irmão de Tiago, o menor (conf. Lc 6.15). Como morador de Cafarnaum, Mateus teve repeti­das oportunidades de ver os sinais que Jesus operou durante o tempo em que ministrou naquela relevante cidade da Galiléia. E provável que o impacto desse testemunho tenha contribuído para sua resoluta decisão de abandonar tudo e seguir o Mestre, quando foi assim desafiado (Mt 9.9-15).
Ao contrário de alguns outros discípulos, Mateus não havia sido seguidor de João Batista antes de sua vocação cristã e, como é de se supor pela natureza da profissão que exercia, deve ter vivido uma vida nada piedosa até então.


II. Mateus possuía uma profissão indigna.

Como coletor de impostos, Mateus estava incumbido da cobrança de taxas tanto dos que cruzavam o Mar da Galiléia como dos que transitavam pela importante estrada de Damasco, que cortava os domínios do tetrarca Herodes Antipas, passando pelas estratégicas Cafarnaum e Betsaida Julias.
Nos tempos apostólicos, a Palestina encontrava-se direta (no caso da Judéia) ou indiretamente (no caso da Galiléia) submetida ao domínio romano.
Os impostos arrecadados por Roma eram de duas espécies: os tributos que recaíam sobre propriedades {tributum agri) ou sobre pessoas {tributum capitis), e osvectigalia, abrangendo todos os outros ingressos do Estado. O tributum capitis aparece na discussão de Mt 22.15-22, quando Jesus é pro­vocado pelos fariseus, com a pergunta

"Dize-nos, pois, que te parece? É licito pagar tributo a César, ou não?"

Dentre os vectigalia interessa-nos destacar sobretudo o portorium, termo téc­nico que indica o imposto sobre o trânsito de mercadorias através do território romano, correspondente a três tipos de imposto moderno: o alfandegário, recebi­do na fronteira de uma província ou Estado; de consumo, recebido à entrada ou saída de uma cidade e o pedágio, ou seja, o pagamento pelo trânsito em determi­nados lugares como, por exemplo, em algumas estradas. O termo bíblico errone­amente traduzido por publicano geralmente se aplica aos portitores, ou seja, os cobradores do portorium.
Os verdadeiros publicanos (lat. publicanus) eram, na realidade, membros da reduzida casta oligárquica que habitava a capital imperial. Res­ponsáveis pela arrecadaçãodopublicum, a renda tributária do Estado, os publicanos formavam sociedades anônimas com pomposos dividendos.
Durante o período republicano - que ofici­almente durou ate' 27 a.C. - os publicanos do­minaram a arrecadação do "publicum", a renda tributaria do Estado, função esta que - deve-se anotar - foi pouco a pouco sendo absorvida pelos futuros imperadores, ávidos pela absolu­ta centralização de poder.
Formavam os publicanos uma sociedade encabeçada por um diretor, o magister societatis, representado nas províncias por um vice-diretor, o pro magistro, que, por sua vez, tinha à disposi­ção um grande número de empregados. Dentre os que lhes estavam sujeitos destacamos os submagistri (gr. arcbitelontes), os quais coordena­vam a coleta de impostos nas muitas províncias do império. Suspeita-se que Zaqueu (Lc 19.1-10), pertencia a esta categoria. Finalmente, subordinados aos submagistri, estavam osportitores (gr. telontes), que, como dissemos, encarregavam-se da cobrança ào portorium. Sobre estes, recaía a difícil tarefa do contato com a população na coleta fiscal. Embora não passassem de subalter­nos, o povo os conhecia como publicanos. Mateus era um deles.
Mesmo em Roma, os publicanos, tanto em níveis superiores como infe­riores, eram sempre tratados com muita desconfiança, sendo constantemen­te comparados a gatunos e oportunistas. Alguns escritores romanos como Cícero, Terêncio, Tito Lívio, Suetônio e Quintiliano expressaram juízos se­veros sobre eles.
No caso de Israel a discriminação contra os submagistri eportitores chegava a patamares extremos. Como funcionários a serviço da dominação estrangeira, eram considerados traidores nacionais, apóstatas, gentios e pecadores (Mt 18.17). Eram de tal maneira desprezados pelos judeus que nem mesmo seus dízimos e ofertas eram aceitos nas sinagogas. Os escritos rabínicos traçavam juízos duríssimos contra eles, por considerá-los não apenas impuros, mas transmisso­res de impureza por sua mera presença. No dizer do teólogo italiano Giovanni Canfora, essa lógica obedecia um raciocínio muito simples.

"Enquanto cobradores, os publicanos eram os agentes da dominação es­trangeira, isto é, dos pagãos; e por estes serem impuros, impuros eram também os publicanos."

Nas Escrituras, especificamente no Novo Testamento, os cobradores de impostos são freqüentemente associados a pecadores (Mt 9.10-13), meretrizes (Mt 2131-32) e pagãos (Mt 18.15-17).
A questão do pagamento de impostos assumira proporções nacionais em Israel (conf. Mt 17.24-27). Era a própria evidência da opressão estrangeira; uma ferida aberta no seio do sentimento cívico do povo judeu, no qual causava a mais profunda indignação, tornando-se a centelha de ignição de insurreições nacionalistas que culminaram no surgimento de movimentos radicais como o dos Zelotes e Gaulanitas. Teudas e Judas, o Galileu (At 5-36) são alguns exemplos do tipo de sentimento que esta prática dominadora provocou entre os judeus.
Diante de semelhante panorama, não é difícil entender porque os fariseus e doutores da Lei se mostravam profundamente escandalizados com Jesus e seus discípulos, ao vê-los em companhia de Mateus e seus camaradas (Lc 5-30).

"Murmuravam, pois, os fariseus e seus escribas (...) perguntando: Por que corneis e bebeis com publicanos e pecadores?"

Mateus, como de resto todo cobrador de impostos, pela corrupção com que estava acostumado mediante freqüente recebimento de propinas e extorsões, de­via ser um homem abastado. A festa dada por ele a Jesus e seus companheiros (Mt 9.11-12) sugere alguém cujas posses o elevavam consideravelmente acima da média da população local. Dentro dessa perspectiva, as parábolas da pérola de grande preço e do tesouro escondido(Mt 13.44-46), só por ele registradas, talvez reflitam parte de seu próprio testemunho de conversão.
Sua humildade e simplicidade como cristão podem ser percebidas em pequenos detalhes, se compararmos as narrativas dos evangelhos sinópticos. E, por exemplo, o único que, nas listas apostólicas, se apresenta como "Mateus, o publicano" (Mt 10.3), enquanto os outros evangelistas suprimem este adjetivo, por demais degradante. Por outro lado, é em Lucas e não em Mateus que tomamos conhecimento que ele "deixou tudo" para seguir após seu Mestre e que "lhe ofereceu um grande banquete em sua casa" (compare Mt 9.9-10 com Lc 5: 27-29).
No que tange à capacitação pessoal, Mateus deve ter sido o mais instruído de todos os discípulos. Além de hábil escritor, como coletor de impostos certamente possuía razoável conhecimento nas áreas de matemática e contabilidade. Considerando-se a região onde exercia seu ofício, Mateus com certeza dominava o grego, o latim e o aramaico. A notoriedade alcançada por seu evangelho foi ressaltada por eminentes autores patrísticos como, por exemplo, Jerônimo {Os Pais Nicenos e Pós-Nicenos, p. 362).

III. Resumo do livro de Mateus.

 Este Evangelho é conhecido como o Evangelho de Mateus porque foi escrito pelo apóstolo do mesmo nome. O estilo do livro é exatamente o que seria esperado de um homem que já foi um cobrador de impostos. Mateus tem um grande interesse em contabilidade (18:23-24; 25:14-15). O livro é muito ordenado e conciso. Ao invés de escrever em ordem cronológica, Mateus organiza este Evangelho através de seis discursos.

Apresentação de Jesus e das novas do “reino dos céus” (1:1-4:25). Logicamente, Mateus inicia com a genealogia de Jesus, provando o direito legal de Jesus qual herdeiro de Abraão e de Davi. A atenção do leitor judeu é assim atraída. Daí, lemos o relato da concepção milagrosa de Jesus, seu nascimento em Belém, a visita dos astrólogos, a fúria de Herodes ao matar todos os meninos em Belém com menos de dois anos, a fuga de José e Maria para o Egito com a criancinha, e seu subseqüente retorno para residir em Nazaré. Mateus tem o cuidado de trazer à atenção o cumprimento de profecias para provar que Jesus é o predito Messias. — Mt. 1:23—Is 7:14; Mt 2:1-6—Mq. 5:2; Mt. 2:13-18—Os 11:1 e Jr. 31:15; Mt 2:23—Isa. 11:1.

O relato de Mateus dá então um salto no tempo de quase 30 anos. João, o Batizador, prega no ermo da Judéia: “Arrependei-vos, pois o reino dos céus se tem aproximado.” (Mt. 3:2) Ele batiza os judeus arrependidos no rio Jordão e adverte os fariseus e os saduceus sobre o vindouro furor. Jesus vem da Galiléia e é batizado. Imediatamente, o espírito de Deus desce sobre ele, e uma voz dos céus diz: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado.” (3:17) Jesus é então conduzido ao ermo, onde, depois de jejuar por 40 dias, é tentado por Satanás, o Diabo. Repele a Satanás três vezes por citar a Palavra de Deus, dizendo por fim: “Vai-te, Satanás! Pois está escrito: ‘É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado.’” — 4:10.

“Arrependei-vos, pois o reino dos céus se tem aproximado.” Estas palavras eletrizantes são agora proclamadas na Galiléia pelo ungido Jesus. Ele convida quatro pescadores a deixar suas redes para segui-lo e tornar-se “pescadores de homens”, e viaja com eles por “toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas deles e pregando as boas novas do reino, e curando toda sorte de moléstias e toda sorte de enfermidades entre o povo”. — 4:17, 19, 23.

O Sermão do Monte (5:1-7:29). À medida que multidões começam a segui-lo, Jesus sobe num monte, senta-se e começa a ensinar seus discípulos. Inicia este emocionante discurso com nove ‘felicidades’: felizes os cônscios de sua necessidade espiritual, aqueles que pranteiam, os de temperamento brando, os famintos e os sedentos da justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacíficos, os perseguidos por causa da justiça e os que são vítimas de vitupérios e mentiras. “Alegrai-vos e pulai de alegria, porque sua recompensa é grande nos céus.” Chama seus discípulos de “sal da terra” e de “luz do mundo”, e explica a justiça, tão diferente do formalismo dos escribas e dos fariseus, que é requerida para se entrar no Reino dos céus. “Tendes de ser perfeitos, assim como o vosso Pai celestial é perfeito.” — 5:12-14, 48.

Jesus adverte contra dádivas e orações hipócritas. Ensina seus discípulos a orar pela santificação do nome do Pai, pela vinda do Seu Reino e pelo sustento diário. No transcorrer do inteiro sermão, Jesus mantém em foco o Reino. Acautela os que o seguem para que não se preocupem e nem trabalhem apenas pelas riquezas materiais, pois o Pai conhece suas necessidades reais. “Persisti, pois”, diz ele, “em buscar primeiro o reino e Sua justiça, e todas estas outras coisas vos serão acrescentadas”. — 6:33.

O Amo dá conselhos sobre relações com outros, dizendo: “Todas as coisas, portanto, que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles.” Os poucos que encontram a estrada da vida serão os que fazem a vontade de seu Pai. Os obreiros do que é contra a lei serão conhecidos pelos seus frutos e serão rejeitados. Jesus compara aquele que obedece às suas palavras ao “homem discreto, que construiu a sua casa sobre a rocha”. Que efeito tem este discurso sobre as multidões que o ouvem? Ficam “assombradas com o seu modo de ensinar”, pois ele ensina ‘como quem tem autoridade, e não como seus escribas’. — 7:12, 24-29.

Expansão da pregação do Reino (8:1-11:30). Jesus realiza muitos milagres — cura leprosos, paralíticos e possessos de demônios. Demonstra até mesmo autoridade sobre o vento e as ondas por acalmar uma tempestade, e ressuscita uma menina. Quanta compaixão sente Jesus pelas multidões, ao ver como são esfoladas e lançadas de um lado para outro, “como ovelhas sem pastor”! Por isso ele diz aos seus discípulos: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, rogai ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita.” — 9:36-38.

Jesus escolhe e comissiona os 12 apóstolos. Dá-lhes instruções definidas sobre como efetuar seu trabalho e enfatiza a doutrina central do seu ensinamento: “Ao irdes, pregai, dizendo: ‘O reino dos céus se tem aproximado.’” Dá-lhes admoestação sábia e amorosa: “De graça recebestes, de graça dai.” “Mostrai-vos cautelosos como as serpentes, contudo, inocentes como as pombas.” Eles serão odiados e perseguidos, até mesmo por parentes chegados, mas Jesus lembra-lhes: “Quem achar a sua alma, perdê-la-á, e quem perder a sua alma por minha causa, achá-la-á.” (10:7, 8, 16, 39) Eles seguem seu caminho, para ensinar e pregar em suas cidades designadas! Jesus identifica João, o Batizador, como mensageiro enviado adiante dele, o prometido “Elias”, mas “esta geração” não aceita nem João nem ele, o Filho do homem. (11:14, 16) Assim, ai desta geração e das cidades que não se arrependeram ao ver suas obras poderosas! Mas aqueles que se tornam seus discípulos acharão refrigério para suas almas.

Refutados e denunciados os fariseus (12:1-50). Os fariseus tentam achar falta em Jesus na questão do sábado, mas ele refuta suas acusações e lança sobre eles forte condenação pela sua hipocrisia. Ele lhes diz: “Descendência de víboras, como podeis falar coisas boas quando sois iníquos? Pois é da abundância do coração que a boca fala.” (12:34) Nenhum sinal lhes será dado exceto o de Jonas, o profeta: o Filho do homem ficará três dias e três noites no coração da terra.

Sete ilustrações do Reino (13:1-58). Por que fala Jesus por meio de ilustrações? Ele explica aos discípulos: “A vós é concedido entender os segredos sagrados do reino dos céus, mas a esses não é concedido.” Declara seus discípulos felizes porque vêem e ouvem. De que instrução reanimadora ele os provê então! Depois de explicar a ilustração do semeador, Jesus conta as ilustrações do joio no campo, do grão de mostarda, do fermento, do tesouro escondido, da pérola de grande valor e da rede de arrasto — todas retratando algo relacionado com “o reino dos céus”. Contudo, o povo tropeça por causa dele, e Jesus lhes diz: “Um profeta não passa sem honra a não ser em seu próprio território e em sua própria casa.” — 13:11, 57.

Ministério e milagres adicionais do “Cristo” (14:1-17:27). Jesus está profundamente comovido com a notícia de que João, o Batizador, fora decapitado por ordem do fraco Herodes Ântipas. Alimenta milagrosamente uma multidão de mais de 5.000; caminha sobre o mar; refuta crítica adicional dos fariseus, sobre quem ele diz que estão ‘infringindo o mandamento de Deus por causa de sua tradição’; cura possessos de demônios, “coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros”; e novamente alimenta mais de 4.000, com sete pães e alguns peixinhos. (15:3, 30) Respondendo a uma pergunta de Jesus, Pedro identifica-o, dizendo: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.” Jesus elogia a Pedro e declara: “Sobre esta rocha construirei a minha congregação.” (16:16, 18) Jesus começa então a falar de sua iminente morte e de sua ressurreição no terceiro dia. Mas também promete que alguns de seus discípulos “não provarão absolutamente a morte, até que primeiro vejam o Filho do homem vir no seu reino”. (16:28) Seis dias mais tarde, Jesus leva Pedro, Tiago e João a um alto monte, a fim de o verem transfigurado em glória. Em visão, vêem Moisés e Elias conversando com ele, e ouvem uma voz do céu dizendo: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado; escutai-o.” Depois de descerem do monte, Jesus lhes diz que o prometido “Elias” já veio, e eles percebem que fala a respeito de João, o Batizador. — 17:5, 12.

Jesus aconselha seus discípulos (18:1-35). Enquanto se acham em Cafarnaum, Jesus fala aos discípulos a respeito da humildade, da grande alegria de se recuperar uma ovelha perdida e de resolver ofensas entre irmãos. Pedro pergunta: ‘Quantas vezes devo perdoar meu irmão?’, e Jesus responde: “Eu não te digo: Até sete vezes, mas: Até setenta e sete vezes.” Para dar mais força a isto, Jesus conta a ilustração do escravo cujo amo lhe perdoou uma dívida de 60 milhões de denários. Mais tarde, este escravo mandou prender um co-escravo seu por causa de uma dívida de apenas 100 denários, e, em resultado disso, o escravo que não mostrou misericórdia foi da mesma forma entregue aos carcereiros. Jesus enfatiza o seguinte: “Do mesmo modo lidará também convosco o meu Pai celestial, se não perdoardes de coração cada um ao seu irmão.” — 18:21, 22, 35.

Os dias finais do ministério de Jesus (19:1- 22:46). O ritmo dos eventos acelera, e aumenta a tensão ao passo que os escribas e os fariseus ficam mais furiosos com o ministério de Jesus. Vêm para enlaçá-lo numa questão sobre divórcio, mas fracassam; Jesus mostra que a única base bíblica para o divórcio é a fornicação. Um jovem rico vem a Jesus, perguntando qual é o caminho da vida eterna, mas vai embora contristado quando descobre que precisa vender tudo o que tem e ser seguidor de Jesus. Depois de contar a ilustração dos trabalhadores e o denário, Jesus fala novamente sobre sua morte e ressurreição, e diz: “O Filho do homem não veio para que se lhe ministrasse, mas para ministrar e dar a sua alma como resgate em troca de muitos.” — 20:28.

Jesus entra agora na última semana de sua vida humana. Faz sua entrada triunfal em Jerusalém como ‘Rei montado num jumentinho’. (21:4, 5) Limpa o templo dos cambistas e de outros especuladores, e o ódio de seus inimigos aumenta quando lhes diz: “Os cobradores de impostos e as meretrizes entrarão na frente de vós no reino de Deus.” (21:31) Suas ilustrações oportunas do vinhedo e da festa de casamento vão diretamente ao ponto. Ele responde habilmente à pergunta dos fariseus sobre o imposto, por dizer-lhes para pagar de volta a “César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus”. (22:21) De modo similar, refuta uma pergunta capciosa dos saduceus e defende a esperança da ressurreição. Os fariseus se dirigem novamente a ele com uma pergunta sobre a Lei, e Jesus lhes diz que o maior mandamento é amar a Jeová de forma plena, e que o segundo é amar ao próximo como a si mesmo. Jesus pergunta-lhes então: ‘Como pode o Cristo ser tanto filho de Davi como seu Senhor?’ Ninguém sabe responder, e depois disso ninguém se atreve a interrogá-lo mais. — 22:45, 46.

‘Ai de vós, hipócritas’ (23:1-24:2). Falando às multidões no templo, Jesus faz outra denúncia mordaz contra os escribas e os fariseus. Eles não só se desqualificaram para entrar no Reino, mas utilizam-se de todas as artimanhas para impedir que outros entrem. Como sepulcros caiados, parecem belos por fora, mas por dentro estão cheios de corrupção e podridão. Jesus conclui com o seguinte julgamento contra Jerusalém: “Vossa casa vos fica abandonada.” (23:38) Ao sair do templo, Jesus profetiza sua destruição.

Jesus fornece o ‘sinal de sua volta’ (24:3-25:46). No monte das Oliveiras, os discípulos lhe perguntam sobre ‘o sinal de sua presença e da terminação do sistema de coisas’. Em resposta, Jesus indica um período futuro de guerras, ‘nação contra nação e reino contra reino’, escassez de alimentos, terremotos, aumento do que é contra a lei, a pregação mundial destas “boas novas do reino”, a designação do “escravo fiel e discreto . . . sobre todos os seus bens”, e muitos outros aspectos do sinal composto que há de marcar ‘a chegada do Filho do homem na sua glória para assentar-se no seu trono glorioso’. (24:3, 7, 14, 45-47; 25:31) Jesus conclui esta importante profecia com as ilustrações das dez virgens e dos talentos, que reservam alegres recompensas para os alertas e fiéis, e a ilustração das ovelhas e dos cabritos, que mostra que os semelhantes a cabritos partirão “para o decepamento eterno, mas os justos, para a vida eterna”. — 25:46.

Eventos do último dia de Jesus (26:1-27:66). Depois de celebrar a Páscoa, Jesus institui algo novo com seus apóstolos fiéis, convidando-os a partilhar um pão não-fermentado e vinho quais símbolos de seu corpo e de seu sangue. Daí, vão a Getsêmani, onde Jesus ora. Ali, Judas chega com uma multidão armada e trai a Jesus com um beijo hipócrita. Jesus é levado perante o sumo sacerdote, e os principais sacerdotes e o inteiro Sinédrio buscam falsas testemunhas contra Jesus. Fiel à profecia de Jesus, Pedro nega-o quando posto à prova. Judas, sentindo remorso, lança seu dinheiro da traição dentro do templo, sai e se enforca. Pela manhã, Jesus é levado perante o governador romano Pilatos, que o entrega para ser pregado na estaca, sob a pressão da turba, incitada pelos sacerdotes, que grita: “O sangue dele caia sobre nós e sobre nossos filhos.” Os soldados do governador zombam da sua realeza e depois o conduzem para Gólgota, onde é pregado na estaca entre dois ladrões, com uma inscrição sobre sua cabeça, que reza: “Este é Jesus, o Rei dos judeus.” (27:25, 37) Depois de horas de agonia, Jesus finalmente morre por volta das três horas da tarde e é colocado num túmulo memorial novo, pertencente a José de Arimatéia. Este foi o dia mais momentoso de toda a história!

A ressurreição de Jesus e suas instruções finais (28:1-20). Mateus culmina então seu relato com as melhores notícias. O morto Jesus é ressuscitado — está vivo novamente! Bem cedo, no primeiro dia da semana, Maria Madalena e “a outra Maria” vão até o túmulo e ouvem o anjo anunciar este fato alegre. (28:1) Para confirmar isso, o próprio Jesus lhes aparece. Os inimigos tentam até mesmo lutar contra o fato de sua ressurreição, subornando os soldados que estavam de guarda junto ao túmulo para dizerem: “Seus discípulos vieram de noite e o furtaram, enquanto estávamos dormindo.” Mais tarde, na Galiléia, Jesus se reúne outra vez com seus discípulos. Qual é sua instrução de despedida? A seguinte: “Ide . . . fazei discípulos de pessoas de todas as nações, batizando-as em o nome do Pai, e do Filho e do espírito santo.” Teriam eles orientação nesta obra de pregação? As últimas palavras de Jesus registradas por Mateus fornecem a seguinte garantia: “Eis que estou convosco todos os dias, até à terminação do sistema de coisas.” — 28:13, 19, 20.


                                                                                                                
IV. A repercussão do encontro de Mateus com o Senhor Jesus.


Lucas afirma explicitamente que Levi ofereceu a Jesus um grande banquete em sua própria casa. Mateus, talvez por humildade, não fala a esse respeito, como também não reivindicou para si a autoria do primeiro Evangelho. Mas ele tinha motivos suficientes para abrir as portas da sua casa para que seus colegas de trabalho e outras pessoas desprezadas como eles pudessem conhecer o Mestre que lhe deu tanto valor, a ponto de requisitá-lo para Sua companhia.
A reação dos escribas e fariseus frente à atitude de Jesus comer e beber com aquele povo desprezado pode ser percebida nesta pergunta condenatória que eles fizeram aos discípulos: “Por quê come o vosso mestre com publicanos e pecadores”? (Mateus 9:11).
Lucas acrescenta que essa censura se estende aos próprios discípulos: “Por quê comeis e bebeis com publicanos e pecadores?” (Lucas 5:30). O que eles arrazoavam é isto: “Vocês estão seguindo o exemplo do seu Mestre, mas um homem como esse não merece ser considerado padrão de comportamento”.
O caso registrado neste parágrafo começa com o chamamento de Mateus. Mas o ponto central em torno do qual gira esse caso é a objeção de Jesus contra a posição dos fariseus com respeito a “justos x pecadores” e a aceitação por parte do Mestre de “uma única comunidade que incluía publicanos e pecadores”. Nisto Jesus aponta para a Sua obra pela qual destruiu a parede de separação, a inimizade entre judeus e gentios (Efésios 2:14-16). Esta obra cumpriu-se na igreja (Efésios 2:14-16). De fato os publicanos e pecadores eram tidos pelos judeus como gentios.
Quando Jesus diz aos escribas e fariseus: “Os sãos não precisam de médico, e, sim, os doentes”, Ele está defendendo a Sua vinda aos pecadores, comparando-a com o ato tão necessário do médico ir até o paciente para atende-lo e curá-lo. A outra expressão “não vim chamar justos, e, sim, pecadores” é uma ironia feita àqueles religiosos ensoberbecidos que se diziam justos e desprezavam os pecadores. Lucas acrescenta a cláusula do arrependimento ao chamamento de Jesus, dizendo: “Não vim chamar justos, e, sim, pecadores ao arrependimento”. Isto é próprio deste evangelista que enfatiza nos seus escritos essa atitude, como necessária à salvação do pecador (Lucas 3:3; 5:32; 24:46-47; Atos 2:38; 5:31).
Mateus acrescenta também a censura de Jesus aos fariseus, por eles não terem aprendido o significado do que diz a Escritura em Oséias 6:6: “Misericórdia quero e não holocaustos”. Em outras palavras Ele está afirmando, que, para Deus, a misericórdia é muito mais importante do que qualquer sacrifício, especialmente quando se trata de esforço humano no sentido de obedecer a preceitos criados, para chamar a atenção de Deus para si. Enfim, o que Jesus fazia entre os publicanos e pecadores, com a intenção de salvá-los, é exatamente o que cumpre a vontade de Deus nas Escrituras, enquanto o que seus adversários estavam fazendo era totalmente reprovado por Deus.


Mateus - também chamado Levi, o filho de Alfeu; mas não o mesmo Alfeu, acreditamos, que o Alfeu pai de Tiago (Mateus 10:3; Marcos 2:14; Lucas 5:27-29). Embora fosse um oficial romano, ele era "um hebreu de hebreus", e provavelmente um galileu; mas de qual cidade ou tribo não somos informados. Antes do seu chamado para seguir o Messias, ele era um publicano, ou coletor de impostos, sob o comando romano. Ele parece ter sido alocado em Cafarnaum, uma cidade marítima  no Mar da Galileia. Ali ele era o que podemos chamar de um oficial de alfândega. Era nesta qualidade que Jesus o encontrou. Quando Ele passou, Ele o viu "sentado na alfândega, e disse-lhe: Segue-me. E, levantando-se, o seguiu." (Marcos 2:14) Mas antes de prosseguirmos com a história de Mateus, vamos considerar algumas palavras sobre o caráter de sua ocupação, uma vez que é tão frequentemente mencionada no Novo Testamento, e por ser um termo realmente genérico. 

Os publicanos propriamente ditos eram pessoas que coletavam os impostos ou rendimentos públicos para Roma. Eles eram, geralmente, pessoas de riqueza e crédito. Era considerada, ente os romanos, uma posição de honra, e geralmente conferida a cavaleiros romanos. Sabino (segundo a história, o pai do Imperador Vespasiano), era o publicano das províncias asiáticas. Eles tinham sob eles oficiais inferiores, e estes, geralmente, eram nativos das províncias das quais os impostos eram coletados; sem dúvida, Mateus pertencia a esta classe de oficial. 

Estes suboficiais eram, por toda a parte, notórios por suas cobranças fraudulentas. Mas para os judeus, eles eram especialmente odiosos. Os judeus olhavam para si mesmos como um povo nascido livre que tinha privilégios concedidos diretamente do Próprio Deus. "Somos descendência de Abraão," diziam eles, "e nunca servimos a ninguém" (João 8:33). Consequentemente, os coletores de impostos romanos eram a prova visível da escravidão deles, e do estado de degradação de sua nação. Esse era o grilhão que os afligia e os incitava a muitos atos de rebelião contra os romanos. Por isso que os publicanos eram abominados pelos judeus. Eles os viam como traidores e apóstatas, e como ferramentas do opressor. Além disso, os publicanos eram, na maioria, injustos em suas cobranças; e tendo a lei do seu lado, eles podiam forçar os pagamentos. Estava sob o poder deles examinar cada caso de bens exportados ou importados, e de avaliar o alegado valor da maneira mais vexatória. Podemos saber, baseado no que João disse a eles, que eles cobravam injustamente sempre que tinham a oportunidade. "E ele lhes disse: Não peçais mais do que o que vos está ordenado." (Lucas 3:13). Veja também o caso de Zaqueu (Lucas 19:9) 

Certamente essas coisas eram mais do que suficientes para trazer toda essa classe de oficiais à maior repulsa, em todo lugar. Mas vamos nos limitar ao que aprendemos deles no Novo Testamento. O espírito da verdade nunca exagera. Ali os encontramos associados a pecadores (Mateus 9:11; 11:19), a prostitutas (Mateus 21:31, 32), e a pagãos (Mateus 18:17). Como classe, eles eram considerados como estando fora, não somente dos privilégios do santuário, mas também dos privilégios da sociedade civil. E ainda assim, apesar de todas essas desvantagens, eles são contados entre alguns dos primeiros discípulos tanto de João quanto de nosso Senhor. Eles tinham menos hipocrisia do que aqueles que eram melhor estimados; eles não tinham uma moralidade convencional, e não tinham uma falsa religião para desaprender. Estas coisas podem ser bastante discutidas a partir da parábola do Fariseu e do Publicano (Lucas 18). A bondade convencional é um grande obstáculo à salvação da alma. É difícil, para tais, tomar o lugar de um pecador perdido e arruinado, para que a graça possa ter livre curso para fazer sua bendita, salvífica e graciosa obra. Aquele que seria justificado diante de Deus deveria tomar o lugar de um publicano e fazer a mesma oração do publicano: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, um pecador!" (Lucas 18:13). Retornemos agora à história de nosso apóstolo.

Com grande prontidão Mateus obedeceu ao chamado de Jesus. Sua situação lucrativa logo foi deixada para trás, e sua conversão, tão completa e manifesta, foi acompanhada de muita bênção para outros. Havia um grande despertar e interesse entre sua própria classe. "E fez-lhe Levi um grande banquete em sua casa; e havia ali uma multidão de publicanos e outros que estavam com eles à mesa." (Lucas 5:29) Um banquete é o símbolo de alegria e regozijo - o efeito imediato de um coração rendido a Cristo. É digno de nota que em seu próprio Evangelho ele torna seu nome bem conhecido, mas nenhum dos outros evangelistas falam do "Mateus, o publicano". Junto com os outros ele foi escolhido como um dos doze. Daquele tempo em diante ele continuou com o Senhor como o restante dos apóstolos. Que bendito privilégio! - "um acompanhante familiar de Sua pessoa, um espectador de Sua vida pública e privada, um ouvinte de Suas palavras e discursos, um observador de Seus milagres, uma testemunha de Sua ressurreição e ascensão à glória." Isto ele não testifica, embora tenha visto. Mateus estava com os outros apóstolos no dia de Pentecostes e recebeu o dom do Espírito Santo. Quanto tempo ele continuou na Judeia após aquele evento, disto não somos informados. Supõe-se que seu Evangelho seja o primeiro que foi escrito, e contém uma referência especial a Israel.

À Etiópia é geralmente atribuída a cena de seus trabalhos apostólicos. Ali, dizem alguns, pela pregação e milagres, ele triunfou poderosamente sobre o erro e a idolatria, foi o meio de conversão de muitos, nomeou guias e pastores espirituais para os confirmar e edificar, e para levar outros à fé; e ali terminou seu curso. Mas as fontes de informação sobre esses pontos não podem ser confiadas com muita certeza.

 

Apesar de Mateus ter sido um dos doze apóstolos de Jesus e também ter escrito um dos Quatro Evangelhos, não se pode encontrar tantas informações biográficas sobre ele. Na verdade além das listas com o nome dos discípulos, o apóstolo Mateus aparece apenas em outros dois episódios em todo o Novo Testamento.

V. A escolha do apóstolo Mateus.


Um dos dois relatos em que o apóstolo Mateus aparece na narrativa bíblica além das listas de apóstolos descreve justamente sua chamada para ser discípulo de Cristo. Uma curiosidade sobre isto é que a escolha do apóstolo Mateus é a única chamada individual de um discípulo registrada nos Evangelhos Sinóticos.
O texto nos informa que o apóstolo Mateus era um publicano. Os publicanos eram os cobradores de taxas e impostos a serviço do Império Romano. Essa classe de trabalhadores era desprezada pelos demais judeus que os reputavam praticamente como traidores de seu próprio povo. Saiba mais sobre os grupos profissionais no Novo Testamento.
De acordo com o contexto histórico da passagem, é possível que Mateus estivesse sob as ordens de Herodes Antipas, o tetrarca da Galiléia. Considerando o ofício que desempenhava, o apóstolo Mateus provavelmente era uma das pessoas mais cultas entre o grupo dos discípulos de Jesus.
Jesus encontrou Mateus “sentado na coletoria”, ou seja, na alfândega, nas proximidades de Cafarnaum, e lhe ordenou que O seguisse (Mt 9:9). Esse local em que o apóstolo Mateus estava eram postos fiscais geralmente estabelecidos em estradas, pontes, canais ou nas margens dos lagos para coletar taxas e impostos.

O apóstolo Mateus também é chamado de Levi?

Como o nome “Levi” não é mencionado em nenhuma das listas de discípulos de Jesus é amplamente aceito que Mateus e Levi tenham sido a mesma pessoa. Nos Evangelhos de Marcos (cap. 2:14) e Lucas (cap. 5:27), lemos que Jesus ordenou que Levi o seguisse, numa descrição muito semelhante ao registro do Evangelho de Mateus 9:9 onde o apóstolo foi convocado.
Entendendo então que Levi e Mateus são as mesmas pessoas, logo somos informados de que ele era filho de Alfeu (Mc 2:14). Sabemos também que Tiago, outro apóstolo de Jesus, também era filho de Alfeu. No entanto, não há informações necessárias para que possamos afirmar que se tratava do mesmo Alfeu e, consequentemente, que Tiago e Mateus foram irmãos.
Ainda sobre sua dupla designação (como Levi e Mateus), existe a chance de que seu nome principal era Levi, mas que depois de se tornar apóstolo de Jesus, ele preferiu ser chamado por outro nome, no caso Mateus, tal como Simão Pedro também o fez.

O ministério do apóstolo Mateus

O outro relato em que o apóstolo Mateus é mencionado, além das listas com o nome dos discípulos e a narrativa de sua chamada, está justamente registrado na sequência do texto em que ele começa a seguir Jesus.
Na ocasião, o apóstolo Mateus aparece dando uma festa, ou oferecendo “um grande banquete em sua casa” (Lc 5:29;  Mc 2:15; Mt 9:10). Essa festa contou com a presença de muitos publicanos e pecadores, e o fato de Jesus ter sentado à mesa com eles foi censurado pelos escribas e fariseus.
Após o Pentecostes descrito em Atos dos Apóstolos capítulo 2, a Bíblia não nos fornece mais nenhuma informação sobre o apóstolo Mateus. Algumas tradições, sem qualquer comprovação histórica, sugerem que em algum momento após o Pentecostes Mateus partiu para Etiópia, Macedônia, Síria e outras localidades. Uma dessas tradições defende que o apóstolo Mateus morreu de causas naturais estando ou na Macedônia ou na Etiópia. Por outro lado, tradições gregas e romanas afirmam que o apóstolo sofreu martírio.

Aplicação Prática: 

O Evangelho de Mateus é uma excelente introdução aos ensinamentos fundamentais do Cristianismo. O estilo lógico do esquema facilita a localização das discussões de vários temas. Mateus é especialmente útil para a compreensão de como a vida de Cristo foi o cumprimento das profecias do Antigo Testamento.


Seus compatriotas judeus eram a audiência a quem se dirigia Mateus e muitos deles -- especialmente os fariseus e saduceus -- teimosamente recusaram-se a aceitar Jesus como seu Messias. Apesar de séculos lendo e estudando o Antigo Testamento, seus olhos estavam cegos para a verdade de quem era Jesus. Jesus os repreendeu por seus corações duros e sua recusa em reconhecer Aquele por quem supostamente estavam aguardando (João 5:38-40). Eles queriam um Messias em seus próprios termos, uma pessoa que cumprisse os seus próprios desejos e fizesse o que eles quisessem. Quantas vezes buscamos a Deus em nossos próprios termos? Não o rejeitamos quando lhe atribuímos apenas os atributos que consideramos aceitáveis, aqueles que nos fazem sentir bem -- Seu amor, misericórdia, graça -- enquanto rejeitamos aqueles que consideramos ofensivos -- Sua raiva, justiça e ira santa? Que não nos atrevamos a cometer o erro dos fariseus, criando Deus em nossa própria imagem e em seguida esperar que Ele viva de acordo com nossos padrões. Tal deus é nada mais do que um ídolo. A Bíblia nos dá informação mais do que suficiente sobre a verdadeira natureza e identidade de Deus e de Jesus Cristo para justificar a nossa adoração e a nossa obediência.

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